Pesquisa divulgada no ano passado pela ABF, sobre a “Liderança Feminina no Franchising”, indicou que 49% das unidades próprias ou franqueadas em operação no Brasil são dirigidas por mulheres
Pesquisa divulgada no ano passado pela ABF, sobre a “Liderança Feminina no Franchising”, indicou que 49% das unidades próprias ou franqueadas em operação no Brasil são dirigidas por mulheres

Mulheres no franchising – Participação expressiva e dedicação total em busca do sucesso

No Franchising, as mulheres também estão com tudo – e podem chegar ainda mais longe. Foi o que mostrou, em agosto do ano passado, a pesquisa “Liderança Feminina no Franchising”, encomendada e divulgada pela Associação Brasileira de Franchising.

Dados mostram que elas estão à frente de 49% das unidades próprias ou franqueadas em atividade no Brasil. Em 12% das redes, a liderança é exclusivamente feminina. Ainda de acordo com o estudo, “nas franqueadoras pesquisadas, 33% das colaboradoras estão em função executiva; 52% em cargo gerencial; 54% atuam na supervisão; 36% no Conselho e a maioria, 60%, em outras funções. Esses percentuais excluem colaboradores das unidades próprias e franqueadas”. A própria Associação Brasileira de Franchising é, atualmente, presidida por uma mulher, Cristina Franco.

A seguir, duas franqueadas, uma franqueadora e uma consultora atuante no sistema há mais de 25 anos compartilham um pouco do que fazem, do que as atrai no sistema e de que como esta atuação transformou e ainda transforma as suas vidas.

Wilma de Oliveira Busato

A empreendedora tem 60 anos, franqueada da The Kids Club em Ponta Grossa, rede inglesa especializada em ensino de inglês para crianças.

“Vinte anos atrás, eu lecionava inglês para crianças quando vi um anúncio da The Kids Club. Logo me identifiquei com a proposta do negócio: ensino de inglês para crianças por meio de uma metodologia lúdica e exclusiva. Era no que eu acreditava: que a criança precisava de um método só para ela, para que aprendesse brincando.

Fui para São Paulo e adquiri a franquia. Realmente, não havia nada parecido. A princípio, tentei implementar o método em escolas, mas devido à resistência – afinal, as pessoas não entendiam que a criança poderia aprender inglês desde muito nova – abri minha escola.

Enfrentei muitas dificuldades em função da desconfiança inicial com a proposta da escola. Mas o tempo foi mostrando os pequenos aprendiam sim. E que quanto mais cedo se iniciava este processo, melhor.

Passaram pela minha escola famílias inteiras. Em agosto, pretendo reuni-las numa grande festa para comemorar os 20 anos da The Kids Club aqui em Ponta Grossa. Pessoalmente, eu só cresci. Profissionalmente, eu me aprimorei para ser uma boa gestora – fiz Gestão Empreendedora na FGV e o Empretec do Sebrae. E não paro de me capacitar até para dar exemplo à minha equipe.

Além de tudo, procuro passar aos meus alunos conceitos de responsabilidade social. A escola é um posto de arrecadação de tampinhas de garrafas plásticas. Eu as doo para uma assistente social que coordena um grupo que confecciona bonecos que são doados em creches e hospitais infantis”.

Mara Matos

Empresária, 30 anos, franqueada da Dr. Shape em Florianópolis, rede especialista em suplementos alimentares, nutrição saudável e artigos esportivos.

“Sou formada em Pedagogia e Gestão de Pessoas. Trabalhei dois anos na área de Recursos Humanos de uma construtora. Meu noivo queria abrir um negócio e pediu meu apoio neste projeto. Queríamos abrir uma franquia nesta área de fitness, suplementos e, ao conhecer a Dr. Shape, nos identificamos com a proposta de negócio.

A loja demanda 12 horas diárias de dedicação. Saio de casa por volta das 9h30 e chego por volta das 21:30. Eu me vejo como uma pessoa bastante corajosa porque deixei de lado um bom salário e um emprego promissor para abrir uma franquia. Acredito que colherei bons frutos.

O nosso diferencial aqui é o atendimento. Nossa fanpage no Facebook já tem mais de 20 mil curtidas. Como consultora, faço de tudo para que o cliente saia da loja satisfeito e que atinja seus objetivos por meio do que eu vendo. Ah, e o melhor de tudo: voltei a treinar numa academia que é parceira da loja. Vivo e vendo qualidade de vida”.

Claudine Lopes Ribeiro

Claudine tem 30 anos, franqueada da Anjos em Pato Branco, rede de lojas que vende colchões e outros itens para o quarto – estofados, travesseiros, roupas de cama, cabeceiras, etc.

“Fui professora e secretária executiva, mas sempre sonhei em ter meu próprio negócio. Meu marido é arquiteto e foi contratado para fazer um projeto para a Anjos. Foi assim que conheci a franquia e, em 2013, abri uma loja em Francisco Beltrão.

A primeira loja não deu muito certo, acho que o publico não tinha muito a ver com o negócio. Então, eu a fechei e abri outra em Pato Branco. Hoje, tenho duas lojas na cidade e a meta é vender R$ 1 milhão em produtos só neste ano. Para isso, vou ficar trabalhar ainda mais. Fico o tempo todo pensando no que posso fazer para melhorar.

Acho que estou no caminho certo, gosto muito do meu trabalho. Mas também me dedico como voluntária numa ONG que cuida de animais e me revitalizo cuidando dos meus três cachorros e um gato”.

Melitha Novoa Prado

Consultora jurídica especializada em franquias, atua no sistema há mais de 25 anos. É autora dos livros “Franchising, na Alegria e na Tristeza” e “Franchising na Real”

“Há 25 anos, fundei o Novoa Prado Consultoria Jurídica, um escritório de advocacia especializado em relacionamento de redes varejistas e de franchising. Estávamos em 1990, década em que o sistema de franquias teve seu boom e muitas marcas internacionais se instalaram no Brasil. Não existia uma lei específica para reger esta forma nova de expandir negócios e nem os juízes entendiam muito do que se tratava. Por isso, aconteceram fatos que, hoje, são completamente absurdos aos olhos de quem conhece o franchising. Houve casos de empresas que quebraram por não possuir registro de suas marcas; franqueados que operavam sem contrato e até empresas fantasmas que atuavam como franqueadoras.

Com o início da vigência da lei, em 1995, e o avanço da gestão dos negócios, muita coisa mudou. Documentos como a Circular de Oferta de franquia e Contratos de franquia formais, credibilidade do sistema associada à gestão da operação do negócio, acompanhamento contínuo e programado da Rede e consultoria de campo acompanhando o desenvolvimento do negócio contribuíram para um crescimento de 7,5% a 9% do setor de franquias no Brasil, conforme dados disponibilizados pela ABF.

O sistema de franchising ainda não é perfeito. Hoje, o principal problema é a gestão do relacionamento entre franqueador e franqueado. Porém, certamente, muitos foram os ganhos e já não se cometem os mesmos erros como há 25 anos. Ainda bem!”.

Sylvia de Moraes Barros

Empresária, 44 anos, máster-franqueada no Brasil da rede inglesa The Kids Club

“Fui professora de inglês e coordenadora em uma escola de idiomas. Mas minha intenção nunca foi ficar unicamente dentro da sala de aula. Por isso, cursei Administração de Empresas na Universidade Mackenzie.

Foi provavelmente esse gosto pela gestão que me ajudou a identificar uma oportunidade no mercado das escolas de idiomas. Em 1994 – no mesmo ano em que foi promulgada a Lei de Franquias no país – eu trouxe a inglesa The Kids Club para o Brasil. Testei o modelo de negócio e adaptei a metodologia para a realidade brasileira. Em apenas dois anos de atuação, já tínhamos 40 franquias no Brasil, o que mostra que o mercado estava ávido por um produto e um modelo de negócio como o nosso.

Estamos sempre buscando novidades e aperfeiçoamento – incluindo o da rede franqueada. A parceria com as editoras multinacionais MacMillan e Pearson – duas das mais importantes do mercado – permite à The Kids Club ter acesso às mais recentes novidades do mercado. O que há de mais moderno e de última geração em termos pedagógicos está à nossa disposição.

Sou casada e mãe de dois filhos, de 7 e 13 anos. Aproveito minha experiência materna também nos negócios. Depois de ter filhos, passei a olhar as necessidades das mães como as minhas próprias necessidades. Minhas crianças são o tubo de ensaio da TKC.

Acredito que as mulheres conseguem adaptar-se melhor ao negócio voltado à educação. Elas se encantam, se apaixonam pelo negócio. Tem uma proximidade afetiva que torna tudo mais interessante. E a mulher tem habilidades para lidar com pais, professores e alunos de uma maneira especial. Na TKC, 95% dos franqueados são do sexo feminino.”

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